Ronco é normal? Quando ele pode ser um sinal de um problema maior
Ronco frequente pode indicar apneia do sono, uma condição com impacto direto na saúde cardiovascular. Saiba quando buscar avaliação médica.
Todo mundo conhece alguém que ronca. Pai, cônjuge, colega de quarto em viagem. O ronco é tão comum que virou piada, incômodo doméstico e assunto de conversa. Mas o que raramente entra nessa conversa é a possibilidade de que ele seja um sinal clínico interessante e relevante para alguns diagnósticos.
Na maioria das vezes, o ronco é inofensivo. No entanto, em alguns casos, ele é a manifestação mais perceptível de um problema respiratório que acontece durante o sono e que, sem tratamento, compromete a saúde de formas que vão muito além do cansaço matinal.
Vamos entender mais sobre esse assunto? Continue a leitura caso você ronque ou conheça alguém que passa por isso.
Perguntas e respostas rápidas
Roncar toda noite é normal?
O ronco ocasional pode não ter significado clínico. Já o ronco frequente, intenso ou acompanhado de outros sintomas merece investigação, pois pode indicar obstrução das vias aéreas durante o sono.
Apneia do sono é grave?
Pode ser. A apneia do sono não tratada está associada a hipertensão arterial, arritmias, maior risco de infarto e AVC, além de prejuízos cognitivos e queda na qualidade de vida.¹
Crianças também podem ter apneia?
Sim. Em crianças, o ronco frequente e a respiração pela boca durante o sono são sinais que merecem avaliação otorrinolaringológica, especialmente quando há hipertrofia de amígdalas ou adenoide.
Qualquer médico pode investigar o ronco?
A avaliação inicial pode ser feita por um clínico geral, mas o diagnóstico e o tratamento da apneia do sono costumam envolver pneumologista, otorrinolaringologista e, dependendo do caso, cardiologista e neurologista.
Resumo do artigo
Este artigo explica quando o ronco deixa de ser apenas um incômodo, quais sinais sugerem apneia do sono, como a qualidade do sono impacta a saúde cardiovascular e cognitiva, como funciona a investigação médica e por que a avaliação individualizada é o ponto de partida correto.
Roncar é sempre normal?
O ronco acontece quando o fluxo de ar encontra resistência nas vias aéreas superiores durante o sono, fazendo vibrar as estruturas da garganta. Essa resistência pode ter causas anatômicas ou ser favorecida por fatores como obesidade, consumo de álcool, tabagismo e posição ao dormir.
Quando o ronco é leve, isolado e não traz outros sintomas, é classificado como ronco primário. Aqui ele é clinicamente benigno, mas socialmente incômodo. Mas o problema começa quando ele é acompanhado de pausas respiratórias, sensação de sufocamento durante a noite ou sintomas que indicam que o sono não é restaurador.
Quando o ronco deixa de ser apenas um incômodo?
A Síndrome da Apneia Obstrutiva do Sono (SAOS) é caracterizada por episódios repetidos de obstrução parcial ou total das vias aéreas durante o sono, levando à queda dos níveis de oxigênio no sangue e ao despertar frequente, muitas vezes imperceptível.
Um estudo epidemiológico realizado na cidade de São Paulo encontrou prevalência de apneia obstrutiva do sono de 32,9% na população estudada, com associações independentes em homens, obesos e mulheres na menopausa.²
Apesar dos números expressivos, a condição permanece amplamente subdiagnosticada. Boa parte das pessoas que têm apneia não sabe disso, e o ronco é frequentemente o único sinal que o parceiro de cama consegue identificar. Veja os sinais que merecem atenção!
Pausas respiratórias durante o sono
São o sinal mais característico da apneia obstrutiva. O paciente para de respirar por alguns segundos, às vezes por mais de um minuto, e retoma a respiração com um engasgo ou um ronco mais alto. Quem dorme ao lado percebe. Quem dorme sozinho, raramente.
Sonolência diurna excessiva
Dormir o número de horas recomendado e acordar sem disposição, sentir sono durante o trabalho, adormecer em situações passivas como reuniões ou como passageiro de carro, são sinais de que o sono não está sendo restaurador. Ficar acordando o tempo todo impede que o organismo complete os ciclos do sono de forma adequada.
Dor de cabeça matinal
A queda da oxigenação durante a noite provoca vasodilatação cerebral, que muitas pessoas sentem ao acordar como uma cefaleia difusa que melhora espontaneamente ao longo da manhã.
Irritabilidade, dificuldade de concentração e alterações de memória
Ponto muito importante! Entre os efeitos mais relatados estão prejuízos que afetam o bem-estar social do paciente.³
Como a qualidade do sono impacta a saúde além do cansaço?
O sono não é um estado passivo. É durante ele que o organismo regula hormônios, consolida memórias, repara tecidos e estabiliza a pressão arterial. Quando esse processo é interrompido repetidamente, o impacto se estende por vários sistemas.
Saiba mais!
Saúde cardiovascular
Em indivíduos já em tratamento de doenças do coração e hipertensão arterial, a apneia do sono não tratada pode contribuir para a piora da função do coração e aumentar o risco de morte.
A redução da oxigenação provocada pelos episódios de apneia ativa o sistema nervoso simpático, eleva a pressão arterial e favorece arritmias. Não por acaso, a apneia do sono é uma das causas mais comuns de hipertensão de difícil controle.⁴
Memória e cognição
A privação crônica de sono de qualidade compromete a consolidação da memória, a atenção sustentada e a velocidade de processamento. Esses déficits costumam ser atribuídos ao estresse ou ao envelhecimento, quando na verdade têm uma causa tratável.
Metabolismo
A privação do sono altera hormônios reguladores do apetite, favorece o ganho de peso e piora o controle glicêmico em pacientes diabéticos. Um ciclo que se retroalimenta, já que a obesidade aumenta o risco de apneia, e a apneia piora o metabolismo.
Como funciona a investigação médica?
O ponto de partida é sempre a avaliação clínica. Antes de qualquer exame, o médico precisa entender o padrão do ronco, os sintomas associados, o histórico de saúde e os fatores de risco do paciente.
Essa conversa é o que orienta a investigação e evita que exames sejam solicitados de forma indiscriminada. E, muitas vezes, o acompanhante pode ser de grande ajuda nesse bate-papo.
Depois, é hora dos exames. O teste de referência para o diagnóstico da apneia do sono é o estudo polissonográfico de noite inteira, realizado no laboratório do sono sob supervisão de um técnico habilitado; Ele registra múltiplos parâmetros simultaneamente, como o fluxo aéreo, saturação de oxigênio, frequência cardíaca, movimentos respiratórios e fases do sono.⁴
Em casos selecionados, é possível realizar o teste em casa, com dispositivos portáteis que registram os principais parâmetros respiratórios durante o sono. Tem menor precisão que a polissonografia completa, mas é uma alternativa prática para alguns casos.
Dependendo dos achados e do perfil clínico do paciente, o médico pode solicitar nasofibroscopia para avaliação das vias aéreas, exames laboratoriais para investigação de hipotireoidismo (causa tratável de ronco e apneia) ou avaliação cardiológica quando há suspeita de repercussão cardiovascular.
Como o Centro Médico Berrini pode ajudar?
O ronco e a apneia do sono raramente têm uma causa única e o tratamento eficaz depende de entender o que está por trás do quadro em cada paciente.
O Centro Médico Berrini oferece atendimento com pneumologistas, otorrinolaringologistas e clínicos gerais capacitados para conduzir essa investigação de forma integrada, com estrutura para realização de exames complementares no mesmo local.
Para quem não tem plano de saúde ou busca acesso facilitado, o programa Berrini Benefícios oferece descontos de até 50% em consultas e exames!
Dormir mal por anos não é o seu destino. Em muitos casos, é um diagnóstico que ainda não foi feito. Por isso, vale a pena identificar se o seu ronco é normal ou se ele está atrapalhando o seu bem-estar de forma significativa!
Está preocupado com seu sono ou de alguém da sua família? Agende uma consulta com um de nossos especialistas para uma avaliação personalizada.
Referências
¹ SILVA, D. I. C. da et al. Síndrome da apneia obstrutiva do sono: diagnóstico e tratamento atual. Brazilian Journal of Health Review, v. 7, n. 5, 2024.
² Zancanella E, Haddad FM, Oliveira L, Nakasato A, Duarte BB, Soares CFP, et al. Apneia obstrutiva do sono e ronco primário: diagnóstico. Brazilian Journal of Otorhinolaryngology [Internet]. 2014 [cited 2026 Sept 13];80:1–16.
³ Sampaio CD, Rabelo ICS, Santos MVN, Lacerda Y de O. Síndrome da apneia obstrutiva do sono: diagnóstico e tratamento atual. Brazilian Journal of Health Review. 2024 Oct 4;7(5):e73343.
⁴ Apneia do Sono [Internet]. Sociedade Brasileira de Pneumologia e Tisiologia - Público Geral. Disponível em: https://sbpt.org.br/portal/publico-geral/doencas/apneia-do-sono/
Este conteúdo tem caráter exclusivamente informativo e educativo. Não substitui a consulta médica, o diagnóstico clínico ou a orientação de um profissional de saúde habilitado. Em caso de dúvidas ou sintomas, procure um especialista.










